"O Retorno das Águias"
Heráclito de Éfeso, antigo filósofo grego, dizia o seguinte: "ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou".
Para muitas pessoas à nossa volta, somos as mesmas pessoas, voltando para a mesma empresa. Se Heráclito disse a verdade, não podemos concordar com isso. Não somos as “mesmas” pessoas e esta não é a “mesma” empresa.
"O fluxo permanente define a harmonia universal. Tudo se move, nada se fixa na imutabilidade", dizia o filósofo. Tal pensamento pode parecer um tanto quanto exagerado e até mesmo angustiante, mas depois de "1 ano e 7 meses.." , meus caros colegas, vocês hão de concordar: a vida é mesmo uma correnteza que nunca para o seu fluxo, independentemente dos obstáculos que surjam no caminho. E nós não escapamos à regra.
Quem não se lembra do primeiro dia na portaria 3, com maquiagens impecáveis, trajes alinhados e pernas trêmulas?! Lembro de aos 18 anos entrar por aquelas portas e pensar: sou eu mesma ou estou em algum sonho?!
Se a seleção já parecia surreal, quanto mais o treinamento. Regulamentação, Sobrevivência, Práticas na Função, "Pulem, pulem , jump, jump".. E mais um monte de outras coisas que qualquer pessoa do mundo real pensaria: "bando de malucos".
E nós vencemos de novo.
O sonho se materializou e agora fazíamos parte daqueles seres de origem desconhecida, que de vez em quando desfilam por aeroportos e que ninguém consegue imaginar a história de vida. Só a gente sabe a dor e a alegria de ser comissário. Não adianta tentar explicar, exemplificar ou desenhar. Só quem é, sabe.
Os voos vieram, a realidade também e a rotina igualmente. As pessoas que conhecemos nem sempre se mostraram educadas, pacientes e compreensivas, o que nos mostrou a face obscura do "conhecer pessoas". Conhecer lugares, pessoas e fugir da rotina, começou a se mostrar algo cansativo, que causa fadiga às vezes, inclusive.
Nós também vencemos isso. Aprendemos a lidar com as adversidades e posso dizer, pelo menos pelas pessoas que hoje conheço: nada foi suficiente para diminuir a vontade de estar em nossa função.
Lembro-me de em um dos meus últimos voos, enquanto observava os passageiros, pensar: "Como eu sou realizada fazendo isso".
Mas como toda boa história precisa de emoção, veio aquela CB inesperada, causando uma turbulência avassaladora.
Há que se lembrar daquele dia: o dia em que entregamos o nosso crachá. Nesse dia, descobrimos o significado da expressão "perder o chão". Perdemos o chão e o ar. Lembro-me da tristeza nos olhos de nossas gerentes e cada palavra dita naquela sala. Só a gente sabe quanta dor estava ali. Algumas pessoas dizem saber, mas, sinceramente: Só quem estava ali sabe. Foi um dos dias mais dolorosos da vida da maioria, acredito eu, mas nesse dia, descobrimos outro sentimento muito nobre; um sentimento que muitos dizem conhecer, mas não fazem a menor ideia do que realmente seja: a esperança. Esperança de um futuro bom, de alegrias futuras e de um retorno. (E dizem que laranja é a cor da esperança...).
A partir daí, tivemos que redescobrir o mundo real: “O que será que as pessoas fazem com mais de cinco dias na mesma cidade?! Que tipo de emprego eu vou conseguir?! Quais são minhas outras habilidades?! O que eu tenho a oferecer para essa cidade?!”.
Histórias lindas surgiram disso. Lindas, não porque não tiveram intempéries, mas porque revelaram pessoas fortes, corajosas, destemidas, capazes de lidar com as derrotas e tirar delas o melhor proveito.
Tentávamos compreender a vida de outra forma, mas as pessoas não podiam nos compreender, e ao descobrir que não estávamos sozinhos, decidimos nos juntar em um barco só.
Meses e meses de silêncio. Nem um sinal em terra, céu ou mar que nos desse esperança. Apenas uma promessa, de que assim que a empresa se reestabelecesse (ou que a correnteza se acalmasse) nos chamariam de volta.
"Apenas uma promessa" é muita coisa e essas palavras se tornaram realidade, graças aos esforços de pessoas que talvez nem soubessem que estavam se esforçando por nós, mas que estavam nos ajudando a concretizar um sonho.
Em junho de 2013, o nome "Simone" se tornou o nome mais doce na face da Terra. E eu não preciso mais contar história, porque se estamos aqui, é porque essa história teve um final, aliás, um recomeço feliz.
Em Fevereiro de 2014, nós finalmente nos tornamos a turma 125 ("TOGETHER!"), que com certeza, será inesquecível!
Prezados colegas, talvez todo esse flashback pareça desnecessário, mas existe uma razão pra eu estar relembrando tudo isso: nós, seres humanos, temos a tendência de esquecer muito rapidamente lições importantes que aprendemos com a vida e eu não quero, de todo o meu coração, que isso aconteça, a começar por mim.
Que não nos esqueçamos das lágrimas no travesseiro, dos dias que ouvimos um barulho de avião e nos imaginamos lá dentro, dos momentos em que tentamos compartilhar toda essa paixão com alguém e fomos completamente incompreendidos e da história que cada um tem pra contar.
Sabemos que nenhuma carreira é perfeita. Não desejo ser utópica, muito menos hipócrita, mas gostaria que este grupo que hoje retorna seja reconhecido pela gratidão, alegria e pela satisfação em voar.
"Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou".
Nós não somos as “mesmas” pessoas e esta não é a “mesma” empresa.
Que sejamos, mais do que nunca, pessoas capazes de multiplicar, acrescentar, motivar e tornar a Gol a melhor empresa aérea para se trabalhar, viajar e investir.
Nós decidimos estar aqui.
Nós escolhemos a Gol.
Que todos tenham excelentes voos, turma 125!
"Tripulação, preparar para a decolagem".
Para muitas pessoas à nossa volta, somos as mesmas pessoas, voltando para a mesma empresa. Se Heráclito disse a verdade, não podemos concordar com isso. Não somos as “mesmas” pessoas e esta não é a “mesma” empresa.
"O fluxo permanente define a harmonia universal. Tudo se move, nada se fixa na imutabilidade", dizia o filósofo. Tal pensamento pode parecer um tanto quanto exagerado e até mesmo angustiante, mas depois de "1 ano e 7 meses.." , meus caros colegas, vocês hão de concordar: a vida é mesmo uma correnteza que nunca para o seu fluxo, independentemente dos obstáculos que surjam no caminho. E nós não escapamos à regra.
Quem não se lembra do primeiro dia na portaria 3, com maquiagens impecáveis, trajes alinhados e pernas trêmulas?! Lembro de aos 18 anos entrar por aquelas portas e pensar: sou eu mesma ou estou em algum sonho?!
Se a seleção já parecia surreal, quanto mais o treinamento. Regulamentação, Sobrevivência, Práticas na Função, "Pulem, pulem , jump, jump".. E mais um monte de outras coisas que qualquer pessoa do mundo real pensaria: "bando de malucos".
E nós vencemos de novo.
O sonho se materializou e agora fazíamos parte daqueles seres de origem desconhecida, que de vez em quando desfilam por aeroportos e que ninguém consegue imaginar a história de vida. Só a gente sabe a dor e a alegria de ser comissário. Não adianta tentar explicar, exemplificar ou desenhar. Só quem é, sabe.
Os voos vieram, a realidade também e a rotina igualmente. As pessoas que conhecemos nem sempre se mostraram educadas, pacientes e compreensivas, o que nos mostrou a face obscura do "conhecer pessoas". Conhecer lugares, pessoas e fugir da rotina, começou a se mostrar algo cansativo, que causa fadiga às vezes, inclusive.
Nós também vencemos isso. Aprendemos a lidar com as adversidades e posso dizer, pelo menos pelas pessoas que hoje conheço: nada foi suficiente para diminuir a vontade de estar em nossa função.
Lembro-me de em um dos meus últimos voos, enquanto observava os passageiros, pensar: "Como eu sou realizada fazendo isso".
Mas como toda boa história precisa de emoção, veio aquela CB inesperada, causando uma turbulência avassaladora.
Há que se lembrar daquele dia: o dia em que entregamos o nosso crachá. Nesse dia, descobrimos o significado da expressão "perder o chão". Perdemos o chão e o ar. Lembro-me da tristeza nos olhos de nossas gerentes e cada palavra dita naquela sala. Só a gente sabe quanta dor estava ali. Algumas pessoas dizem saber, mas, sinceramente: Só quem estava ali sabe. Foi um dos dias mais dolorosos da vida da maioria, acredito eu, mas nesse dia, descobrimos outro sentimento muito nobre; um sentimento que muitos dizem conhecer, mas não fazem a menor ideia do que realmente seja: a esperança. Esperança de um futuro bom, de alegrias futuras e de um retorno. (E dizem que laranja é a cor da esperança...).
A partir daí, tivemos que redescobrir o mundo real: “O que será que as pessoas fazem com mais de cinco dias na mesma cidade?! Que tipo de emprego eu vou conseguir?! Quais são minhas outras habilidades?! O que eu tenho a oferecer para essa cidade?!”.
Histórias lindas surgiram disso. Lindas, não porque não tiveram intempéries, mas porque revelaram pessoas fortes, corajosas, destemidas, capazes de lidar com as derrotas e tirar delas o melhor proveito.
Tentávamos compreender a vida de outra forma, mas as pessoas não podiam nos compreender, e ao descobrir que não estávamos sozinhos, decidimos nos juntar em um barco só.
Meses e meses de silêncio. Nem um sinal em terra, céu ou mar que nos desse esperança. Apenas uma promessa, de que assim que a empresa se reestabelecesse (ou que a correnteza se acalmasse) nos chamariam de volta.
"Apenas uma promessa" é muita coisa e essas palavras se tornaram realidade, graças aos esforços de pessoas que talvez nem soubessem que estavam se esforçando por nós, mas que estavam nos ajudando a concretizar um sonho.
Em junho de 2013, o nome "Simone" se tornou o nome mais doce na face da Terra. E eu não preciso mais contar história, porque se estamos aqui, é porque essa história teve um final, aliás, um recomeço feliz.
Em Fevereiro de 2014, nós finalmente nos tornamos a turma 125 ("TOGETHER!"), que com certeza, será inesquecível!
Prezados colegas, talvez todo esse flashback pareça desnecessário, mas existe uma razão pra eu estar relembrando tudo isso: nós, seres humanos, temos a tendência de esquecer muito rapidamente lições importantes que aprendemos com a vida e eu não quero, de todo o meu coração, que isso aconteça, a começar por mim.
Que não nos esqueçamos das lágrimas no travesseiro, dos dias que ouvimos um barulho de avião e nos imaginamos lá dentro, dos momentos em que tentamos compartilhar toda essa paixão com alguém e fomos completamente incompreendidos e da história que cada um tem pra contar.
Sabemos que nenhuma carreira é perfeita. Não desejo ser utópica, muito menos hipócrita, mas gostaria que este grupo que hoje retorna seja reconhecido pela gratidão, alegria e pela satisfação em voar.
"Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou".
Nós não somos as “mesmas” pessoas e esta não é a “mesma” empresa.
Que sejamos, mais do que nunca, pessoas capazes de multiplicar, acrescentar, motivar e tornar a Gol a melhor empresa aérea para se trabalhar, viajar e investir.
Nós decidimos estar aqui.
Nós escolhemos a Gol.
Que todos tenham excelentes voos, turma 125!
"Tripulação, preparar para a decolagem".
Comissária Amanda Alves.

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