Mulher. Esta palavra ganhou um significado tão mais amplo e bonito
depois de ler este livro.
Lembrei das palavras do poeta da minha terra,
que aqui, do outro lado do mundo, cantou "Maria, Maria". Pensei nessas
mulheres que não vivem, apenas aguentam.
Pensei nas mulheres que amo que
já sofreram todo tipo de violência. Pensei no quanto somos parecidas,
ainda que tão diferentes. Senti tanto amor por essas mulheres...
Graças
ao Google, consegui conhecer melhor os cenários do livro.
Em meio a notícias de homens bomba,atentados e fotos de prédios
destruídos, uma notícia de que uma mulher havia sido eleita para a
Suprema Corte do Afeganistão pela primeira vez. Noutra notícia,
feministas usando "hijab" (véu islâmico) protestavam contra uma decisão
que inocentou homens que apedrejaram uma mulher. Em meio a muitas
notícias tristes, pude ver que as mulheres afegãs voltaram a ter voz,
após muitos anos de completa invisibilidade.
Lembrei também de
Ulfah,uma querida muçulmana com quem morei por dois meses e com quem
dividi momentos maravilhosos. Lembrei de Mentari, outra muçulmana que
conheci no projeto, que também fazia Direito e com quem tive excelentes
conversas, além de ouvir seus lindos objetivos pra Indonésia.
O preconceito nos cega e o pior de tudo é que nos impede de amar.
Esse livro me lembrou de muita coisa, mas mais que tudo me fez ver a
força das mulheres de países assolados por guerras e que passam por todo
tipo de sofrimento. A partir de agora, quando perguntarem se eu tenho
descendência daquele "lado de lá", vou responder: " não que eu saiba,
mas bem que gostaria de ter".
"Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria,
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha,
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida..."
("Maria, Maria"- Milton Nascimento)

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