Ontem escrevi uma carta que
ganhou uma repercussão que jamais pensei que fosse atingir.
Que alívio saber que tem mais gente
pelo mundo que consegue olhar o próximo com amor e compaixão, ao invés de jogar
pedras. Por outro lado, não é direito meu me vangloriar de nada, porque essas
palavras não são minhas, mas de outro Autor que vêm dizendo isso há milênios e
a humanidade insiste em não obedecer.
Ocorre que eu demorei muito pra
entender o sentido da palavra “graça”. Só quando errei feio, errei rude, como a
Fabíola e a moça do texto é que finalmente olhei pros olhos do meu Salvador. É
só por isso que consigo agir como Ele. “Perdoai as nossas ofensas, assim como
nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (gosto mais dessa tradução). A gente
fala isso repetidamente na oração do “Pai Nosso”, mas não se atenta à
profundidade dessas palavras. Só quem entende o que é ser perdoado pode perdoar
de verdade. Só quem já teve o fardo do pecado tirado de suas costas pode
entender o alívio que o outro sente quando isso acontece. E não se enganem: não adianta falar “crentês” com
fluência pra dizer que entende esse perdão. Eu já era crente há anos quando
finalmente o entendi.
Talvez você já tenha passado por
isso ou esteja passando agora. Ao escrever pra Fabíola, descobri que muitas
pessoas, mesmo não tendo tido seus pecados expostos publicamente, gostariam de
receber uma punição tão severa quanto a dela. Pessoas, que assim como eu, se
sentem completamente inadequadas pra Deus ou sentem que só quem faz tudo
certinho é que é digno da graça.
Era assim que os fariseus e escribas
que queriam apedrejar aquela mulher pensavam. Eles não só se colocavam como juízes sobre os
outros, mas também sobre si mesmos. Julgavam que sua própria justiça poderia
salvá-los. Penso que eles não se arrependeram ao largar aquelas pedras. Se eles
tivessem se arrependido, teriam ficado e pedido perdão ao Senhor e a moça pelo
que intentaram fazer. Ao se depararem com a misericórdia e graça que o Messias
apresentava de forma tão simples e gratuita, sentiram-se humilhados, mas não em
uma humildade que leva ao arrependimento e sim em arrogância religiosa. Eram
homens que sabiam o Antigo Testamento de cor, estudavam a Bíblia mais do que
qualquer outro grupo da época, cheio de “boas” obras, zelosos com as tradições
e aguardavam o Messias, conforme seus pais os haviam ensinado. Todavia, o que
estava diante deles era um homem simples, de olhar amoroso, que não exigia nada
em troca pelo que fazia e deliberadamente perdoava uma mulher que, além de
adúltera, pelo contexto da época deveria ser analfabeta e não educada na
Palavra. Ela não cumpria qualquer requisito religioso pra ser digna do amor do
Deus encarnado e, ainda assim, Ele a perdoou. Isso cai como uma bomba na mente
e coração de qualquer religioso, inclusive na minha e na sua. Não é à toa que
Jesus disse que se a nossa justiça não
exceder em muito a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entraremos no Reino
dos Céus (Mateus 5:20).
Talvez pregar esse Evangelho para os outros não seja tão difícil pra você, mas ainda assim seja impossível acreditar nele para sua própria vida, como é pra mim. É por isso que o Evangelho hoje não é atraente para as pessoas do nosso século. Parece impossível que possa existir um Deus para o qual eu não precise fazer nada, aliás, um Deus para o qual nada do que eu faça mude suas motivações. Claro que não falo aqui do poder de Deus para mudar circunstâncias, mas de salvação, de amor, de favor imerecido. Quando você crê Nele e genuinamente se arrepende dos seus pecados, Ele te perdoa dos seus pecados passados, presentes e futuros. Quando você entende sua condição caída e Ele lhe dá nova vida, formando uma nova criatura, você é aceito, amado, perdoado. Significa que você nunca mais vai errar? Com certeza não. Significa que Ele já sabia que você cometeria esse erro, ainda assim te salvou.
Talvez pregar esse Evangelho para os outros não seja tão difícil pra você, mas ainda assim seja impossível acreditar nele para sua própria vida, como é pra mim. É por isso que o Evangelho hoje não é atraente para as pessoas do nosso século. Parece impossível que possa existir um Deus para o qual eu não precise fazer nada, aliás, um Deus para o qual nada do que eu faça mude suas motivações. Claro que não falo aqui do poder de Deus para mudar circunstâncias, mas de salvação, de amor, de favor imerecido. Quando você crê Nele e genuinamente se arrepende dos seus pecados, Ele te perdoa dos seus pecados passados, presentes e futuros. Quando você entende sua condição caída e Ele lhe dá nova vida, formando uma nova criatura, você é aceito, amado, perdoado. Significa que você nunca mais vai errar? Com certeza não. Significa que Ele já sabia que você cometeria esse erro, ainda assim te salvou.
Quando erramos, temos enorme
dificuldade em aceitar todas essas verdades. Quando cometemos pecados “maiores”
então, nem se fala. A vontade é se enfiar num buraco e ficar lá até morrer.
Nesse contexto, milhares de pessoas se “desviam” todos os dias. Não conseguem
mais encarar a igreja, sua liderança, seus amigos crentes ou conviver com
qualquer coisa que remeta ao Evangelho. Como “plus”, ainda temos aqueles
irmãos, que ao invés de fazerem o papel santo de nos exortar em amor, como
Jesus fez com aquela moça, nos julgam e ainda expõem nossos erros pra mais
gente ainda.
Encarar nossa própria
imundícia é doloroso demais e mais difícil ainda é aceitar que Alguém pode nos
limpar de graça se confessarmos os nossos pecados.
Como eu sei disso? Porque eu
passei por todas essas coisas. Me desviei frequentando uma igreja. Me sentia
uma falsa e hipócrita, ainda assim não tinha coragem de aceitar o favor
imerecido do Senhor. Essa falsa humildade na verdade é uma forma de orgulho.
Aceitar que não depende da gente dói demais.
Por isso, minha oração é por
você, que hoje se encontra nessa posição. Pode ser que não frequente uma igreja
há anos, seja líder de ministério ou mesmo um pastor. Se você errou, não tenha
medo de buscar perdão. O mesmo Homem que olhou para aquela mulher, quer te
olhar também; o mesmo favor que a alcançou, pode te alcançar também. Ele
resiste ao soberbo, mas seu favor está com os humildes.
Não fique nem mais um dia fora
desse amor.
Essa oração é minha também.
Que corramos sem pensar duas
vezes.
No amor de Cristo,
Amanda.

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